“Tento transmitir os valores da União de Leiria, pois não somos um clube qualquer.”

O treinador da equipa de Juniores, Micael Pedrosa, em entrevista ao site oficial do clube, falou sobre a nova época, marcada pela atual pandemia do COVID-19. Os objetivos, o caminho a traçar para os conseguir, e a nova época sem adeptos na bancada. O treinador unionista analisa a primeira semana de trabalho.

Como decorreu a 1ª semana de treinos, em especial com a atual situação da pandemia do COVID-19?

A primeira semana, apesar de todas as condicionantes que a COVID-19 nos está a pôr, está a ser positiva. Estamos ainda em fase de adaptação a todas as restrições e limitações, mas sabemos que terá de ser assim por tempo indeterminado. Em relação aos trabalhos, a paragem foi longa e causou naturalmente muitas limitações físicas aos atletas. Tivemos o cuidado de perceber qual era o melhor método para estas primeiras semanas, o que fez com que tivéssemos de mudar aquilo que normalmente é a nossa metodologia: os treinos são com pouca bola e com uma carga mais física numa primeira fase. Digamos que é uma pré-época “à antiga”. Aos poucos vamos começar a introduzir mais a bola e ir ao encontro daquilo que é a nossa forma de trabalhar.

 

Quais são os objetivos da equipa e o que na pré-época irá transmitir à mesma?

Os objectivos são os naturais de um clube como a União Desportiva de Leiria: atingir a manutenção e tentar fazer um campeonato regular, sempre fugindo da zona de sobressalto. O que pretendo transmitir à equipa é o sentido de responsabilidade da tarefa que temos pela frente. Sabemos que este campeonato é muito duro e vamos ter que trabalhar muito, vamos ter de nos superar e ser rigorosos para que possamos competir e disputar todos os jogos “olhos nos olhos”. Como treinador, tento sempre transmitir os valores da União de Leiria, pois não somos um clube qualquer. Somos um clube já com uma história rica e tradição nos campeonatos nacionais.

 

Ainda não se sabe se os jogos serão com público ou não. Acredita que, caso os jogos se disputem sem público, posso afetar os seus jogadores e o rendimento da equipa?

A essência do futebol são os jogadores e os adeptos, por isso é óbvio que tem sempre uma repercussão, sobretudo no fator motivacional. O futebol sem adeptos é como o bacalhau sem sal: Fica insonso. Teremos de trabalhar e arranjar outras motivações e com certeza vamos aparecer motivados para cada jogo.

 

Se pudesse escolher 3 características que a sua equipa tem de ter obrigatoriamente, quais seriam?
Gosto que as minhas equipas sejam multifacetadas, mas gosto principalmente que a minha equipa tenha alma e garra. Tudo o resto vem com isso. Gosto de uma equipa com cultura táctica e trabalhamos muito essa parte, e permite-nos perceber o jogo e rapidamente variar/adaptar/surpreender o adversário através da mudança dos nossos posicionamentos em campo. As minhas equipas têm também muita disciplina. Falamos de um desporto colectivo, de um grupo de 22/23 jogadores diferentes e com carácteres diferentes e aqui sou inflexível: há uma linha de regras para todos e que tem de ser respeitada e seguida. Só assim conseguiremos dar resposta a todas as outras premissas.